21 novembro, 2017

Marcelo e os avisos que continuam a faltar

Marcelo sabe-a toda e para manter a credibilidade vai falando daquilo que o povo gosta de ouvir mas mantendo a coisa pela rama, não vá o diabo tece-las.
Enigmático isto? Eu explico.
Por exemplo, Marcelo poderia ter sido direto quando se referiu à imprensa. Podia ocorrer-lhe os meus avisos antigos e, à semelhança de outros malefícios, sugerir os rótulos adequados...  se não o fez foi para que não lhe fosse dito que não se cospe no prato onde se andou tantos anos a comer...

20 novembro, 2017

Porque é que ainda não chove assim?


 O líder do Greenpeace , Gerd Leipold, em Agosto de 2009, admitiu em entrevista durante o programa “Hardtalk” – na BBC – manipular e divulgar dados falsos sobre o aquecimento global, sob a desculpa de, sendo o Greenpeace uma instituição que faz pressão,“tem de colocar emoção” nas informações que divulgam… Há sete anos atrás dava eu  esta notícia e ela, de alguma forma, fez-me pôr "um pé atrás" em relação ao aquecimento global. 
Regressei ao crédito ao reconhecer que os movimentos não engajados politicamente merecem justa reserva. As denúncias de "Os verdes" e o trabalho continuado e persistente de Manuela Araújo, no seu blogue  "Sustentabilidade é Acção", contribuíram para mudar de opinião.

Se querem saber porque ainda não chove assim, a Manuela esclarece
O que segue é apenas "um cheirinho" e que explica (quase) tudo:
 «...o gigantesco consumo de recursos provocado por uma sociedade que usa e deita fora, que valoriza o ter em detrimento do ser e que dá primazia a uma economia sem ética, obsoleta, que depende do consumo e do crescimento...»

19 novembro, 2017

Clube Futsal de Oeiras, um marco no associativismo desportivo


Entrei no bar, e logo rostos sorridentes me receberam. Antes de qualquer cumprimento, surgiu o pedido e o café, de pronto, me foi servido. Falámos pouco ali, pois na verdade, não havia um só dia que não nos encontrássemos. Vizinhos de há muito, só não os esperava (todos eles) ali, no bar do Clube de Futsal de Oeiras, onde meu neto Diogo passou há pouco a frequentar a escolinha.

Foi uma visita curta (teve a duração dos jogos) mas deu para perceber que o associativismo ali, bem perto de mim, bem cobria a (lamentável) lacuna deixada pelo desporto escolar.
O clube que conta com mais de 220 atletas, tem gente jovem a dirigi-lo e um ambiente...
Fica o vídeo, de um avô-principiante-amador (o próximo sairá melhor)!


18 novembro, 2017

A dona Esmeralda e a vizinha do 4º andar, a conversar - (32) ["Que grande manif "]

Vizinha do 4º andar - Ó dona Esmeralda!, estou chocada!
Dona Esmeralda - Mas... que se passa?
Vizinha do 4º andar - Os sindicatos... essa gente não pára! Querem dinheiro à tripa-forra... ainda vamos parar outra vez à bancarrota! 
Dona Esmeralda - Ora... estão é a pressionar para se repor um direito! O que não falta para ai é dinheiro!... Está é no lado errado!
Vizinha do 4º andar - ...e ele está...
Dona Esmeralda - ...está nos rendimentos de capital,  como dividendos ou mais-valias com a venda de acções e prediais, que fogem assim às taxas normais do IRS: tanto faz que sejam 5 mil ou 50 milhões de euros, a taxa é a mesma. Parece-lhe justo?  E já nem falando daquela coisa do englobamento...
Vizinha do 4º andar -  5 mil e 50 milhões?  
Dona Esmeralda - Ah, pois então!
Rogérito (interrompendo naquele momento)- Viram? Que grande manifestação!

17 novembro, 2017

Um grande número de pessoas que tomam decisões sobre o futuro da Europa, não tem quaisquer interesses diretos nesse futuro!


Segundo Alberto Castro*, Phil Lawyer terá feito um balanço curioso sobre os líderes da Europa
  • O recente eleito presidente da república francesa, Macron, não tem filhos
  • A Chanceler, Angela Merkel, não tem filhos
  • A PM do Reino Unido, Theresa May, não tem filhos
  • O PM de Itália, Paolo Gentiloni, não tem filhos
  • Mark Rutte da Holanda, não tem filhos
  • Stefan Lofven, da Suécia, não tem filhos
  • Xavier Better, do Luxemburgo, não tem filhos
  • Nicola Sturgeon, da Escócia, não tem filhos
  • Jean-Claude Juncker, Presidente da CE, não tem filhos
Portanto, um grande número de pessoas que tomam decisões sobre o futuro da Europa, não tem quaisquer interesses diretos nesse futuro!

*Alberto Castro é correspondente de Afropress em Londres e colabora na Página Global

16 novembro, 2017

Eu, saramaguiano até o tutano, não podia deixar a data* em branco


"(...)A Comunidade é o Conselho de Administração de uma grande empresa chamada Europa, que tem produtores que são consumidores, consumidores que são produtores, e tudo isso planificado. A distribuição das tarefas, incumbências e obrigações é determinada por esse Conselho. A Comunidade decidiu, por exemplo, que 75% da superfície florestal de meu país será destinada à plantação de eucaliptos. Nós não decidimos. Decidiu uma potência supernacional. E decidiu sobre algo que até agora teria a ver com o que chamamos de soberania nacional. O mais interessante, porém, é o seguinte: o que antes parecia ligar-se apenas à economia, está se transformando em solução política para a Europa. Isto é, uma vez que a aplicação da política económica não pode ser decidida pelos governos nacionais, então é indiferente que os governos sejam conservadores, nacionalistas, capitalistas, socialistas, social-democratas ou liberais. Apagam-se as fronteiras do que chamávamos ideologias, porque isso não tem mais importância.
O mais importante – e eu diria, o mais trágico – é que se tira dos povos o direito de decidirem sobre o seu destino. Claro que nada no mundo é definitivo, e os povos sempre encontram as soluções melhores para os seus problemas. Mas o problema da hegemonia, que parecia resolvido com a Comunidade, não está. O que está ocorrendo agora é o surgimento da potência europeia do futuro, que será outra vez a Alemanha. A Europa será o que Alemanha decidir."
José Saramago - in "Quem é o patrão da Europa?"
(Publicado em Jornal do Brasil - 15 de Maio de 1992 

*José Saramago faria hoje 95 anos

15 novembro, 2017

A luta dos professores, a procura da dignidade perdida e a história da carochinha


Na procura da dignidade perdida a luta dos professores deu um pequeno (grande) passo em frente. Alguém comentava por aí, alardeando um decreto de 1936, que sim senhor, que concordava com a luta dos professores mas deixava como reparo que a sua situação melhorou muito depois do 25 de Abril. E afirmava ter certeza que alguns deles ainda se lembram muito bem do que o Estado Novo impunha às professoras.

Lembrar o fascismo é sempre louvável, para que não nos matem a memória, mas tal comparação no contexto da luta de hoje soa a um "calem-se lá, que isto já esteve bem pior". Lá deixei um comentário a apontar-lhe que de facto já tinha melhorado antes de ficar péssimo. E como em assuntos de classe, nada melhor que passar a palavra a quem sabe da poda*, cá vai, a partir de uma conhecida história:
«“Quem quer casar com a Carochinha que é tão formosa e bonitinha?” Muitos foram os pretendentes que se sentiram atraídos pelo convite da formosa Carochinha, que a todos rejeitou. João Ratão, o aparente felizardo por ela escolhido, como sabemos, acabou no caldeirão.

“Quem quer ser professor, uma profissão tão digna e de inegável valor?” Sabemos a resposta a esta pergunta, bem como conhecemos a opinião dos estudantes portugueses acerca dos seus professores. Podemos adivinhar (sem grandes probabilidades de erro) os seus motivos.

Comecemos pela resposta à pergunta. Segundo um estudo realizado para o Conselho Nacional de Educação (CNE) a partir do relatório dos testes PISA de 2015, somente 1,5% dos estudantes portugueses que fizeram esses testes consideram a possibilidade de virem a ser professores. Avancemos para as opiniões que os alunos têm dos seus professores. 

É também uma publicação do CNE que dá a conhecer que, segundo os dados dos testes PISA, em 2012 os alunos portugueses estavam entre os que, percentualmente, mais respostas afirmativas davam no que se refere a sentirem-se felizes na escola e a terem um bom relacionamento com os professores; a percentagem dos que se sentiam postos de parte por eles era mínima. A quantidade de estudantes portugueses que afirmavam relacionar-se bem com os professores (86%) contrastava, nomeadamente, com a dos finlandeses (43%).

Porquê, então, um tão baixo desejo dos jovens em optarem pela profissão de professor? Não será difícil encontrar resposta(s) para esta última questão. Difícil é abordar todos os motivos possíveis no espaço deste artigo.

A figura do professor sofreu uma desvalorização social enorme. Todos se lembrarão da imagem do professor preguiçoso, que trabalha pouco e falta muito, divulgada por uma ministra que, a reboque de tal imagem, retirou direitos aos docentes, aumentou-lhes o horário de trabalho e a carga burocrática.

Todos ouvem anualmente, nas notícias, o drama que vivem muitos professores, que chegam aos 50 anos de idade sem garantia de trabalho e sem estabilidade familiar, com a casa às costas de ano para ano ou de mês para mês. Atrás vem o drama dos filhos: a escola que vão frequentar, com quem ficam. Vem o drama da economia familiar: o baixo ordenado derretido nas viagens e, eventualmente, no aluguer de um alojamento.
E as diversas e indefinidas componentes do horário, cuja definição os professores têm vindo a exigir sem que a tutela lhes dê ouvidos? Falarei só da componente letiva e da não letiva. Esperar-se-ia que da não letiva estivessem excluídas as atividades com alunos, como, por exemplo, apoios individualizados, aulas de apoio ao estudo ou coadjuvação em sala de aula, mas tal não acontece. E assim, de forma mascarada, aumenta-se o horário de trabalho dos docentes e o seu consequente desgaste e diminui-se artificialmente a “necessidade” de contratação de novos professores.

Impensável é também o que se perspetiva no Orçamento de Estado em discussão: a função pública terá as suas carreiras descongeladas no próximo mês de janeiro, após mais de nove anos de congelamento, sendo o tempo de congelamento contado para progressão com mecanismos de faseamento. Deste processo estão excluídos os docentes, a quem está destinado o apagamento de nove anos da sua vida profissional, com a perda salarial que tal implica. Dizem os responsáveis governamentais que tal sucede por a sua progressão se fazer apenas por tempo de serviço. Contudo, os professores só podem mudar de escalão se, cumulativamente, obtiverem Bom, no mínimo, na avaliação a que são sujeitos obrigatoriamente, e se tiverem frequentado, com sucesso, um mínimo de 50 horas de formação.

Já vai longa a lista de “contras” na hora de tomar a decisão de ser professor. Perante este caldeirão fumegante, os pretendentes afastam-se assustados. De resto, já não conseguindo a profissão docente mostrar-se tão sedutora como a Carochinha da nossa história, revela-se, no entanto, igualmente inatingível, rejeitando aqueles que a ela querem aceder. O último relatório Perfil do Docente, do Ministério da Educação, mostrava que, num universo de 104 386 docentes da escola pública, em 2015/2016, apenas 383 tinham menos de 30 anos. No 2.º ciclo de escolaridade, por exemplo, 48% dos docentes tinham 50 anos de idade ou mais e 34,6% estavam na casa dos quarenta. Quantas histórias de emprego precário e mal pago e de vida pessoal e familiar instável se encontram nos docentes que vivem os seus “quarenta”!(...)»

*Armanda Zenhas Mestre em Educação, área de especialização em Formação Psicológica de Professores, pela Universidade do Minho. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, nas variantes de Estudos Portugueses e Ingleses e de Estudos Ingleses e Alemães, e concluiu o curso do Magistério Primário (Porto). É PQA do grupo 220 no agrupamento de Escolas Eng. Fernando Pinto de Oliveira e autora de livros na área da educação. É também mãe de dois filhos.

UMA HISTÓRIA MODERNA DE TERROR

Não é história (já acontece),
amanhã não será moderna
e quanto a ser de terror... é sim senhor!
Há uma geração que se está nas tintas sobre o poder da tecnologia, sobre se está ou não a ser vigiada. O seu terror é outro.

Agradeço ao meu amigo e camarada Cid Simões o envio deste vídeo

14 novembro, 2017

Carta aberta aos mais de 15 mil cientistas que renovaram o aviso sobre riscos ambientais

Caros Senhores Cientistas,

Escrevo esta carta sem a expetativa de esta vir a ser por vós lida. Assim, é para mim quase uma descarga de peso de consciência, pois, verdade se diga, eu próprio não estou fazendo nada para inverter a situação.
Mas vocês também não.

Isto é, estão fazendo pouco. Este vosso alerta é tardio e curto. É tardio, pois esperar 25 anos para o renovar pode acontecer vir demasiado tarde. É curto, pois não entra em detalhes nem a promover comportamentos exemplares.

Como comportamentos exemplares cito o povo cubano e o que pode o poder da comunidade em contrariar tudo aquilo que agora, meus caros cientistas, estão a alertar quanto à disponibilidade de água potável, quanto à desflorestação, quanto à diminuição do número de mamíferos e quanto às emissões de gases com efeito de estufa provenientes da queima de combustíveis fósseis.

Dizem, meus caros, que aquelas questões estão todas “no vermelho”, sendo que as medidas para as mitigar tomadas desde 1992 são dececionantes, com exceção das destinadas a estabilizar a camada do ozono e dizem ainda que “A humanidade não está a fazer o que deve ser feito urgentemente para salvaguardar a biosfera ameaçada”

Meus caros Cientistas,

Que tal fazer de Cuba um "case study"? Eu sei, eu sei. Virão dizer que o pico petrolífero (ainda) não se confirma e que vai continuar a haver petróleo a rodos... que Cuba é isto e mais aquilo... Pois!

Se me lerem, atuem.
Rogério Pereira
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«Quando a União Soviética colapsou em 1990, a economia de Cuba entrou em parafuso. Com as importações de petróleo cortadas em mais de metade - e de alimentos em 80% - as pessoas estavam desesperadas. Este filme narra as dificuldades e lutas, bem como o espírito de comunidade e a criatividade, do povo cubano durante este período difícil. Os cubanos explicam como fizeram a transição de um sistema agrícola industrial altamente mecanizado para um outro baseado na agricultura biológica, local, e em hortas urbanas.

É um olhar incomum sobre a cultura cubana durante esta crise económica, a que eles chamam "O Período Especial". O filme (premiado por tudo o que é lado) começa com uma breve história do Pico do Petróleo, um momento da nossa história em que a produção mundial de petróleo atinge o máximo e começa a declinar. Cuba, o único país que enfrentou uma crise dessas - a redução massiva de combustíveis fósseis - é um exemplo de opções e esperança.»


Este texto foi inspirado num post antigo da Manuela Araújo em "Sustentabilidade é Acção"

13 novembro, 2017

"Roncos do Diabo" - Gaiteiros de Lisboa (música, da boa)



Roncos do Diabo

Com três paus faz-se um bordão
Com mais um faz-se um ponteiro
Por anónima a função
Encarnado num gaiteirooooo

O Diabo já é velho
Mas é grande folião
Na festa mete o bedelho
P'ra animar a bailação

P'ra aquecer o bailarico
Abre a torneira ao tonel
O cura dá-lhe um fanico
Lá se vai o hidromel

Essa bebida dos anjos
Que agrada tanto ao demónio
Já tentou S. Cipriano
S. João e Santo Antóniooooo

Santo António milagreiro
Fez um pacto com o demónio
O Diabo era gaiteiro
E o santo tocava harmónio

S. João tocava caixa
Com dois paus de marmeleiro
Mas o delírio das moças
Era a gaita do gaiteiro

Inchava como um leitão
Quando se lhe puxa o rabo
Pela copa do bordão
Jorravam roncos do Diabooooo

Era a gaita do demónio
Que soava endiabrada
Afinava com o harmónio
Mas não estava homologada

Estava fora das medidas
Saía da convenção
Tinha veias no ponteiro
E dois papos no bordão

Criação de Belzebu
Diabólica magia
Nas voltas da contradança
Quem dançava enlouqueciaaaaa

E nas voltas da loucura
As almas em desatino
Saltavam de corpo em corpo
Errando de seu destino

O gaiteiro arreunia
Como se junta um rebanho
Fê-las descer ao inferno
No fogo tomaram banho

E já os corpos em brasa
Iam fazendo das suas
As vestes esfarrapadas
Mostravam as carnes nuaaaaas

Inocenciam absolutio...
[e mais umas quantas coisas em latim macarrónico]

Com três paus faz-se um bordão
Com mais um faz-se um ponteiro
Por anónima a função
Encarnado num gaiteirooooo

As fêmeas eram lascivas
Ondulantes de paixão
Corroídas p'lo desejo
Contorciam-se no chão

No terreiro da função
Os corpos se confundiam
Seguidores de Belzebu
Das almas santas se serviam

Foram pela noite fora
Perdidos no bacanal
Ao som desta banda louca
Até ao Juízo Finaaaaal

Inocenciam absolutio...


11 novembro, 2017

2º Aniversário da solução que um geringoço batizou de geringonça


Não há muito, um outro geringonço defendia que não se chamasse  "geringonça" ao Governo porque "eles gostam". Pessoalmente, até acho que o termo é simpático (apesar de não aplicável). 
O que é indiscutível é que de negociação em negociação vão acontecendo acordos e o orçamento já veio a ser comentado por gente que embora distante da geringonça também não é nenhum geringonço. Ora espreite lá!

Quanto à imagem acima, Nicolau Santos talvez nunca tenha dito o que lá está escrito, o que não me impede de afirmar que certamente o terá pensado. 


Esta outra imagem, roubada à Uva Passa, lá lhe disse

«Genial,
só discordo, por sinal
da figura do Marcelo
devia estar a abraçar ou beijar
uma marreta ou um martelo
certo de que, tarde ou cedo
o irá usar»

10 novembro, 2017

Álvaro Cunhal (104 anos)


"Não se trata de olhar para trás 
e perguntar com angústia: 
«que fiz? que fiz?» 
Trata-se de olhar em frente 
e perguntar com confiança e serenidade: 
«que poderei ainda fazer?»"
Álvaro Cunhal, 
Pequeno extrato de um texto belo, que um dia, no meio daquela esplanada, li em voz alta e de um só fôlego.
Houve até quem soltasse uma comovida lágrima. 

09 novembro, 2017

A Web Summit, as Smart e as Stupid Cities

Resultado de imagem para oeiras smart city 

Em dia da despedida do evento que arrastou multidões optei por evento caseiro. A iniciativa, promovida pelo setor da cultura da Câmara Municipal de Oeiras, no âmbito das Conversas na Aldeia Global, prometia algo estimulante, e foi. 
Foi assim:
Que cidades teremos em 2030? A crescente urbanização tornou as cidades em ecossistemas sociais complexos onde é imperativo assegurar o desenvolvimento sustentável. Por essa razão, convidamos os investigadores Miguel de Castro Neto e Luís Vicente Baptista para uma reflexão sobre as principais ideias para o futuro a caminho dos ODS “Cidades e Comunidades Sustentáveis” e “Educação de Qualidade”.
Assisti e não dei por ter perdido o meu tempo. Primeiro, porque tudo aquilo que no meu conto (reeditado) julgava se ir passar em 2090, Miguel de Castro Neto, na sua douta intervenção, diz que é já para 2030. Sem as competências de um ex-Secretário de Estado do Governo de Passos, tenho, no mínimo, direito a ter errado no meu prognóstico, o prazo.

Competiu ao Luís Vicente Baptista algum valor acrescentado e a pergunta mais incómoda: "Oeiras tem dados abertos?"

À hora a que sai da sala, a pergunta ainda estava sem resposta... 
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"Stupid City" - Cidade que vai atrás da moda com a veleidade de lhe querer passar à frente, que não tem transportes mas que sonha com um "Satu-o" e com "drones", onde a água é mais cara e, em tempo de seca, a água pluvial é derramada (pela sarjeta) no esgoto. Os cidadãos que habitam uma "stupid city" têm, sobre a realidade que os cerca, uma consciência diversa. Uns julgam-se "smarts" (são os "chico-espertos"), e dos outros, alguns, são mesmo stupids e acreditam piamente que vivem numa cidade avançada.  

08 novembro, 2017

7 de Novembro, ontem, no Coliseu


Reli a intervenção de Jerónimo de Sousa, depois de a ouvir e, no seu decurso, a ir aplaudindo. Hesito entre citar uma passagem ou aquela outra. Volto a reler e opto por outra ainda, para logo de seguida desistir. É que a intervenção, toda ela, é uma unidade indissociavel. A intervenção é  documento histórico onde a memória se funde e conjuga com o presente e da fusão surge a orientação para o empenhamento futuro.

Assim mesmo o entendo: um documento histórico. Leia-o!
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Procurei na imprensa algum destaque digno de menção e já tinha desistido do intento quando um camarada me trouxe a surpresa, de onde ela menos se esperava.
 «E aos "sonhadores da morte", àqueles "profetas do declínio", o líder do PCP deixou a simples mensagem: "aqui estamos e estaremos ligados ao pulsar da vida".
Ali estava aquele Coliseu para não o deixar mentir. Mesmo com mais cabelos brancos do que uma Festa do Avante!, mostrava-se como um organismo vivo e não como uma última floresta de árvores a morrer de pé, um organismo vivo capaz de declamar em coro, acompanhando o poeta já há muito falecido, embora presente em imagens de arquivo, esse final de "A Bandeira Comunista": "Por isso quando os burgueses/ nos quiserem destruir/ encontram os portugueses/que souberam resistir. /E a cada novo assalto/ cada escalada fascista/ subirá sempre mais alto/ a bandeira comunista."»
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07 novembro, 2017

Web Summit (conto de ficção tecnológica)

Resumo do conto (publicado no ano passado):
Tudo se passa em 2090. As personagens, Bruna e Miguel, são um jovem casal. Ela gere um micro-oficio que administra dois deprimidos: Miguel entrega-se à mesma actividade mas a sua dimensão é já de maior responsabilidade pois emprega 26 deprimidos com diferentes escalões. Cumprem um horário generoso de 20 horas semanais o que lhes permite usufruir todos os benefícios de uma sociedade avançada, onde avanços tecnológicos inimagináveis reduziram ao mínimo o esforço humano e também a necessidade de trabalho. Este é assegurado por uma imensa prol de deprimidos, agrupados por diversos níveis de depressão. O primeiro nível é de elevada aptidão e competência, o nível 5 corresponde ao deprimido inútil que é segregado dada a falta de préstimo. O conto inicia-se com os primeiros sintomas de Bruna e o anúncio de uma quase certa gravidez.
É um conto que escrevi não como divertimento mas como um aviso. Muitos dirão que pinto o futuro de muito negro e que tal é impossível. Mas... o impossível é tão só e apenas aquilo que ainda não aconteceu. Por outro lado, haverá a tranquilidade de pensar que ainda faltam muitos anos para 2090 chegar.
Contudo Lisboa hoje abriu-se ao futuro, e tudo pode acontecer...


05 novembro, 2017

Diálogo com o Diogo (a continuar... não sei onde, nem quando, nem como)

Foto de Andreia Couñago Pereira. 
Ele - Vô!?
Eu - Diz, pá!
Ele - O que acontece se eu escolher ser jogador?
Eu - Amador ou profissional?
Ele - O que é ser jogador profissional?
Eu - Ser profissional é viver intensamente aquilo que se faz e viver exclusivamente disso e... para isso!
Ele - Então não posso ir ser mais nada?
Eu - Podes, depois, só depois... mas há coisas que jamais poderás ser...
Ele - Diz lá coisas que depois não posso vir a ser
Ia a responder mas a bola veio ter com ele e o Diogo voltou ao jogo. Disse para mim como se lhe tivesse a dizer para ele: 
"Não poderás ser biólogo*, Diogo"
___________________
*ler aqui, em «Diogo, da "Maior Flor do Mundo" ao Polvo» as mil e uma razões porque achava que ele podia ser biólogo.

04 novembro, 2017

Inês de Medeiros no seu melhor

Esta imagem é uma fotomontagem minha, a original anda por ai...

Todos nós, eleitos, fazemos tudo o que de melhor podemos e sabemos para deixar, na nossa tomada de posse, uma impressão coerente com o respeito que o eleitorado nos merece. Todos, cada um à sua maneira, procuram dar de si o seu melhor, marcar terreno, dar conta das principais linhas que orientarão o mandato, anunciar projetos e até mesmo lançar desafios.

Inês de Medeiros não foi exceção. Em cerca de 28 minutos de discurso fê-lo sorrindo e rindo, rindo muito. Parecia que o seu melhor estava bem preparado (o nervosismo que registou não conta, e pode até ser entendido como uma forma de transmitir emoção e sentido de responsabilidade).

Só que o seu melhor passou a resvalar para o mau. Logo após o 23º minuto do seu discurso (ver vídeo) Inês de Medeiros avança com iniciativas  para combater o défice de qualificação e os problemas do abandono e insucesso escolar em Almada. Da plateia vozes alertam que isso estava sendo feito. Inês interrompe para responder com um "já sei que já há" e segue lendo. O seu melhor, aqui, foi mesmo mau, pois se já havia, porque não afirmar que iria continuar? Propor ao vereador CDU eleito, ali presente, que continuasse esse trabalho ou, no mínimo, responsabiliza-lo para melhorasse processos, procedimentos, práticas...

Mais adiante, o seu melhor caiu no péssimo: Inês de Medeiros, chamava ao seu mandato uma iniciativa há muito em prática por parte da rigorosa gestão da autarquia. Diz Inês que Almada iria passar a ter um Regulamento Municipal de Apoio ao Associativismo. Vozes exclamaram, da cheia plateia, "mas isso já existe"... procurei e... existe mesmo, querem um exemplo? ver aqui, com data de 14 de Janeiro de 2014, "Candidaturas online para apoio ao Movimento Associativo"

Fosse ela, no seu melhor, ao menos razoável e os vereadores da CDU teriam aceite pelouros. Aquele ( Educação, a Cultura, o Desporto) e outros!



03 novembro, 2017

Este não é o filme que Portugal merece*

 Foto de Partido Comunista Português.

«O problema da floresta não era de falta de legislação, de fixação de regras e procedimentos. O que faltou foram os recursos financeiros para a concretização e acompanhamento; da execução das faixas de protecção a infraestruturas, habitações e aglomerados urbanos; da falta de rentabilidade para promover uma adequada gestão; da falta de dinheiros públicos para a concretização das redes primária e secundárias de faixas de gestão de combustíveis; da falta de recursos humanos nos serviços públicos para planeamento, acompanhamento e aconselhamento dos produtores florestais e das comunidades rurais. Um serviço de extensão florestal fundamental para melhorar a resistência, resiliência e rentabilidade da floresta portuguesa. Mas esse reforço humano é também necessário para que as matas públicas possam ser correctamente geridas. Por isso, Sr. Primeiro-ministro, quando estamos a discutir o Orçamento de Estado para o próximo ano é preciso saber se haverá cobertura orçamental para tudo o que é necessário fazer.» 

*Este não é o filme que Portugal merece

O vídeo abaixo trouxe-o de um lugar conhecido, de uma autora que não pára. Ela se desdobra de iniciativa em iniciativa. Qual a mais nobre?
Mas que não esqueça, sem meios nada se resolve... nada!
E o filme pode voltar a repetir-se

This is Portugal from Shortfuse on Vimeo.

01 novembro, 2017

Almada, a distribuição de pelouros e o ADN do DN

Sob o título "DN, DN, qual o teu ADN?" dei conta há sete anos atrás que uma entrevistada acusava os jornalistas do DN de superficiais e, dizia ela sobre o seu trabalho:
"Trabalham em sistema de bolas incandescentes de mediatização e são pouco analíticos. (...) 
Essas bolas incandescentes mediáticas são manipuladas?
Não! Tabloidizam é de tal forma a realidade que impedem as pessoas de as compreender, e passa a existir dois processos diferentes: o mediático e o verdadeiro!
 Vem esta citação a propósito de uma noticia publicada na edição de segunda feira  (30 de outubro de 2017) do Diário de Notícias sob o título “Só PSD aceita pelouros do PS em Almada. PCP recusou”.

A notícia, foi pronta e com indesmentíveis fatos, desmentida
Não sei ainda se este desmentido (ver aqui) veio a ser notícia...

31 outubro, 2017

Seca severa (transcrição de uma mesa redonda já antiga mas onde entra uma visita)

(reedição de uma mesa-redonda publicada em 2012)


Eu, Meu Contrário e Minha Alma, reunidos. Pensativos. 

Eu (dissertando sobre o foto) - Se ninguém faz nada, isto vai ficar... (e falou, falou, sem se calar)
Meu Contrário (com voz horrorizada) - Mas isso é.... a Terra martirizada... nem sei porque procuram Marte... se aqui a desertificação se espalha por toda a parte!
Minha Alma (com um humor deslocado) - Julguei que era a foto de um pormenor da pele de um elefante gigante...  
Eu (irritado) - Um deixa-se abalar, a outra goza. O pessimismo é um pensamento reaccionário. Fazer humor é  pior que olhar para o lado... Baixar os braços é fazer o jogo contrário...
Minha Alma (atrapalhada por ser repreendida) - Tens razão, não nos deixemos abalar. Mas que fazer?, a solução só pode ser... fazer chover. O Homem pode fazer chover?
Meu Contrário (pensativo) - O Homem pode é criar condições para reduzir a seca, mas faz exactamente o contrário.
Minha Alma (pensativa) - Florestando?  Evitando incêndios?... 
Meu Contrário (completando) - ...Controlando o abate criminoso de árvores... utilizando racionalmente a água e fazendo-a chegar onde for necessário regar...
Minha Alma (sem humor, mas com ironia) - O relvado de um campo de golfe bem regado, certamente que não chega... devia ser pecado e punir-se o pecador.

E os três continuaram a falar, sobre o tema, sobre o desaproveitamento do Alqueva, sobre para que serve uma maior consciência ecológica se os povos permanecem amorfos... e sobre a incerteza de a fome os despertar. Estavam eles nessa, quando ela entro em cena.

Manuela Araújo (que tinha acompanhado tudo) - Julgo que ainda não se percebe, de forma generalizada, quanto a água caminha para a escassez. Tanta coisa a fazer, por cada um e por todos, e tanta coisa mal feita (ou não feita) pelos que têm o poder!

Quanto ao Alqueva, estive a semana passada no Baixo Alentejo, na zona de Serpa: fiquei espantada! Julguei que estava no Minho, com tanto milho a ser cultivado, pois é uma cultura que precisa de bastante água. E o número de novos olivais, irrigados, espantou-me igualmente. E vi campos de cebolas! Perguntei... e soube que pagam a água para irrigação (do Alqueva) a 8 cêntimos o m3, mais uma taxa de manutenção de 50 euros por hectare; e que o milho (espiga) se destina a farinha para rações e para outras indústrias transformadoras, e o resto da planta para alimentar gado; e que as cebolas são liofilizadas e vendidas à McDonalds.

Afinal, parece que já alguns agricultores estão a tirar partido do Alqueva, assim como a Syngenta e outras corporações da biotecnologia, não faltavam lá placas junto ao milho e também aos girassóis... serão transgénicos? não sei...

Pelo menos estão a produzir algo.
Se as terras vão ficar menos secas? com este sistema de cultivo (junta-se água, adubos e herbicidas e fabricam-se monoculturas de produtos destinados à indústria alimentar) o que vai acontecer é que o solo cada vez vai ser mais pobre e cada vez mais poluído...; primeiro virão uns anos de fartura... depois... Disseram-me também que a Andaluzia já está a reduzir fortemente a produção agrícola...

Na minha opinião, o Alqueva devia servir em primeiro lugar para uma agricultura biodiversa e que permitisse a auto-suficiência alimentar das comunidades locais e do país, para muitos agricultores e não apenas alguns latifundiários, num modo de cultivo que permita que o solo enriqueça e melhore com os anos, retendo a água e a matéria orgânica.

Uma agricultura ecológia ajudaria a reter a água no solo e a prevenir a desertificação e fome de amanhã.

Deste modo que vi, alguns vão enriquecer mas o solo vai empobrecer... e a água vai acabar por desaparecer... as alterações climáticas ajudam!

Eu, Minha Alma e Meu Contrário (em coro) - Apoiado!

29 outubro, 2017

Alberto Garzón, outro saramaguiano (se não me engano)


28 outubro, 2017

Em dia de aniversário... era desnecessário!


Pois querida filha, a minha primeira reação foi mais uma vez "#*&#"@€$!!", mas depois... pensei, pensei, pensei que teu amigo, desta feita, não estava era a ser bom contigo:

Mantém-te é assim, bonita para o resto da tua vida (como o teu pai)...
(Luís Azevedo, desta vez não está desculpado
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Outros trabalhos, explorando a expressividade e fotogenia da minha mainova que já é "cota"

27 outubro, 2017

A minha "tomada de posse"


A tomada de posse só não foi igual a todas as outras porque foi a minha. Foi já na terça-feira passada e, para publicar algo, faltava-me a foto adequada. Esperei, mas não chegava. Procurei, encontrei. Foi esta, e não julguem a irei legendar negativamente (ela fala por si). Nada disso. 
A tomada de posse foi para mim o tomar de pulso sobre o que irá ser este mandato. Qual será o seu curso e desempenho.

Os que na tomada de posse nada disseram, por certo continuarão a nada dizer. Os que deram sinais de aproximação à maioria, irão aproximar-se da maioria. Os que aproveitaram a intervenção para o mero auto-elogio continuarão, certamente, a envaidecer-se. Os que detendo o poder afirmaram que o querem partilhar com condições, registei a afirmação (faltam as condições). 
Todos, todos sem exceção tiveram ovação. Até eu.

Do que disse, fica apenas um pequeno apontamento:
«(...) jamais colocaremos as pessoas no centro das discussões que pretendemos vivas e respeitadoras do diálogo democrático.

O que poremos em causa não serão as pessoas.
O que poremos em causa, sempre que acharmos nosso dever o fazer, serão a obra que não corresponda ao benefício e aos anseios das populações.
O que poremos em causa serão as trapalhadas, acaso ocorram.
O que poremos em causa serão as decisões do executivo que não se baseiem em critérios transparentes e aprovados pela Assembleia.
O que poremos em causa será a falta de rigor no cumprimento dos procedimentos que a lei determina.
O que poremos em causa será a postura subserviente perante a Câmara, ignorando ou fazendo tábua rasa das competências consagradas na lei.
O que poremos em causa serão a prepotência ou a tendência para usar uma maioria absoluta contra o diálogo democrático e contra a dignidade da Assembleia e do Poder Local Democrático.

Se lembramos tudo isso, é porque no anterior mandato tudo isso aconteceu e, como diz o nosso bom povo, “mais vale prevenir do que remediar”.

Registem que não nos limitaremos a pôr em causa tudo o que acharmos dever ser porto em causa.
É marca da CDU apoiar todas as propostas, venham de que força política vier, desde que nos pareçam oportunas e adequadas e contribuam para o bem-estar das populações. É igualmente nossa marca ter iniciativas e propostas (...)»
Sem vivas, nem vaias, fui (como todos os outros) muito aplaudido. 

25 outubro, 2017

19 anos... (ena, com catano, tanto ano)

 Foto de Miguel Lopes.

Conselho cá do mai´velho
Esse teu olhar não engana...
para tudo o que quiseres, és capaz... 
portanto... liberta em ti a chama
não queiras ser poucochinho.... 
ou poucochinho serás

24 outubro, 2017

Santana Lopes, a "geringonça" e os geringonços


Santana defende que não se chame "geringonça" ao Governo porque "eles gostam"

Sim, eu gosto! Desde pequeno que adoro! Meu avô Joaquim me ensinou a gostar... (aquela flauta era já o prenuncio de uma bela geringonça que me acompanhou toda a vida, até agora)
Quanto ao geringonços, não! Detesto! São uns mal-acabados! Nunca um mal-acabado* (segundo uma dada rogériografia) produziria uma geringonça.
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*Entendo por mal-acabado, alguém sem arte nem imaginação para arquitetar algo que, com poucos recursos, funcione. Quem pense que uma geringonça é o resultado do empenhado esforço de um geringonço, esqueça. Não é! Nunca um geringonço  produzirá uma geringonça. 


23 outubro, 2017

«A terra a quem a trabalhar»

Ocupado a escrever a minha intervenção de tomada de posse, dei com esta crónica, e cá vai disto. Caso gostem, façam o favor de irem saudar o autor.

Quando Leonor voltou à terra já não era a mesma que dali partira nas raias da maioridade. Na capital deveria ter encontrado companheiro com bons abonos, emprego em boa loja ou repartição já que, aos olhos de quem a via, virara fina. Quem a vira e quem a via: óculos de sol, saltos altos, lábios e unhas pintados, permanente, colar, malinha no ante-braço, cuidada no uso da palavra com recurso a termos por ali pouco usados e, a juntar a tudo isto, conduzia ela própria um volkswagen azulinho claro.
A meio da volta das visitas a que vinha, desceu, com os cuidados que o seu calçado e o seu jeito exigiam, a rampa de acesso à taberna da rua onde nascera, entrou e, naturalmente, toda a gente se calou para a mirar e para a ouvir.
Falou, do posto da autoridade efémera que lhe concederam, não do pedaço de vida que lhe desconheciam pela ausência mas das mudanças que notava na terra e que a surpreendiam.

- Efetivamente, estou chocada, a quantidade de silvas e ruínas que vão por este lugar além! Que desmazelo o desta gente! Hoje em dia ninguém quer trabalhar!
Foi o Zé da Venda, que por sabedoria de ofício ouvia muito mais do que falava, que a pôs no seu lugar:
- Leonor, se ainda sabes distinguir uma foice dum foice, vais ali às minha alfaias e podes começar já naquilo que herdaste dos teus pais!
Meia engasgada, abreviou as despedidas, saiu porta fora e pôs-se ao volante, deixando abafadas pelo ruído do motor algumas gargalhadas. E então não é que na primeira curva por entre o casario, de má visibilidade, diga-se, espeta uma traseirada no carro de bois do Esquim Manel. A junta aliviou a canga por instantes mas os animais nem olharam para trás. Pararam à ordem do boieiro que veio à retaguarda verificar o acidente. O capot do automóvel bem amolgado e coberto de esterco que resvalou da carga, Leonor a sair irada e de voz esganiçada, os clientes da Venda e outras vizinhanças a acudirem ao local convocados pelo estrondo e pela discussão crescente.

- Efetivamente isto não se admite! Não devia ser permitido andar com gado nesta estrada!
- Já por cá andavam muito antes de teres carro!
- Ó Esquim mas tu tens de me pagar efetivamente os estragos no carro!
- Ó cachopa, eu não tenho a carta mas sempre ouvi dizer que quem enfia por trás paga!

A discussão prolongou-se, como é normal, alargou-se ao julgamento dos outros presentes, elevaram-se alguns tons mas, fosse qual fosse o argumento ou a sentença, a todos o Esquim Manel respondia:
- É muito simples, quem enfia por trás paga!

Não tendo corrido muito bem a ida de Leonor à terra, ressabiada, nunca mais voltou mas é ainda recordada por alguns com o "enfia atrás" e "efetivamente". Ou melhor, voltou hoje, já septuagenária, numa passat conduzida por um filho, depois de ter visto na televisão a sua terra em chamas. Não conseguindo localizar as sua propriedades teve de pedir ajuda a um primo residente!
- O que isto era e o que isto é! Isto tinha de acontecer! Esta gente sempre foi muito desmazelada! E depois ninguém quer trabalhar!
- Ó prima, há já aí quem diga que o pessoal que cá vive tem de se unir e fundar uma cooperativa e que as terras abandonadas irão ser propriedade de quem a trabalha!
- Efetivamente estou a ver que também tu viraste comunista! Tu, ouve bem, ai de quem tocar naquilo que os meus paizinhos me deixaram ou que ouse mexer nos meus marcos!
- Efetivamente prima, vou dizer-te uma coisa que nunca te disse: eu quero que tu te... tu te... tu te...

22 outubro, 2017

Isaltino, as inverdades e os exageros da imprensa

«O grande auditório do Núcleo Central do Taguspark, em Porto Salvo, foi pequeno para as centenas de pessoas que quiseram assistir à tomada de posse do novo presidente da Câmara de Oeiras, tendo sido colocado um ecrã gigante no exterior para os que não tiveram lugar puderem acompanhar a cerimónia.
Trinta minutos depois da hora marcada, às 18:30, Isaltino Morais entrou na sala, merecendo um longo aplauso de pé de todo o auditório»
Este texto, tão curto, contém uma inverdade e um exagero. A inverdade é que eu não fui lá para ver a tomada de posse do novo presidente da Câmara. O exagero é que nem todo o auditório o aplaudiu.  Entre muitos que não aplaudiram, um deles fui eu. E quanto ao estar de pé, já estava. É que para recolher a imagem para a produção do vídeo que se segue, sentando, ninguém consegue...

20 outubro, 2017

Os incêndios, a ANAFRE e os magustos


A ANAFRE - Associação Nacional das Freguesias anda muito bem calada sobre tudo o que se passa na imensa floresta queimada e... promove magusto... em destaque, na sua página oficial.
Porque sou eleito numa união de freguesias, onde o (quase) único pulmão natural sofre mais a ameaça do betão do que do fogo, fico surpreendido com tal silêncio pois estou convencido de duas coisas.
  1. Que às freguesias, pela proximidade, compete um papel que talvez esteja por bem definir e a ANAFRE devia ter uma palavra a dizer;
  2. Que houve tempos em que a ANAFRE se sabia situar, tomar posição e dá-la a conhecer, independentemente de ser escutada ou não.
Cabe a pergunta: o atual Presidente, já terá sido convidado... para o tal magusto? 

19 outubro, 2017

Irá Costa romper com o paradigma?



Há muito que não comprava um jornal e hoje decidi quebrar a promessa que a mim mesmo fizera. Nesta quebra, há a evidência que é tão difícil romper com hábitos antigos, como sair de qualquer toxicodependência. Isso, comprei o DN por vicío. Gostei da "chamada de capa" e fui diretamente à 4ª página.  E continuei a ler o texto encabeçado pelo título: «Costa admite flexibilizar défice publico por causa dos incêndios». 

Boa! Até que enfim que o Costa sai do paradigma do sacrossanto défice. 

Há hora (agora) de escrever algo sobre isso neste espaço, procuro a notícia. No google, coloco o título e como resposta... nada. Coloco o já referido subtítulo da 4ª página... e nada. Tento outras hipóteses no "motor de busca" e vou parar a parte nenhuma. Que se passa? 
Talvez que simplesmente "alguém" tenha considerado que a pressão de fecho da edição tivesse consentido algo inconveniente de ser escrito? Terá sido isso?   É que ceder em matéria de aumento da despesa pública agravando o défice é heresia. Na versão editada na net, o texto desaparece.
[ocorre-me o que, sobre a matéria, disse em Outubro de 2015  um herege: «Gostava que um economista me explicasse por que é que o défice tem que ser de 3% em vez de 4%»]
Sabem que mais? 
Não comprem mais jornais! 
Se querem saber, vão beber à fonte

18 outubro, 2017

Por mim, o PS só não continuará a ser Governo se não quiser! (mas onde é que eu já ouvi isto?)


Nascer em berço como o nascido dá valores e dá destino. Pode o Mundo dar muita volta (e deu), pode ser até que ele tenha empatia (e tem), pode até ele parecer equidistante (e parece), pode até ele ser apaziguador (e é). Mas vem sempre à superfície algo que irremediavelmente o denuncia. Chamemos a isso, por mera facilidade de expressão, "opção": 
 "Marcelo alinhando, como alinhou, nesta culpabilização absurda de considerar politicamente responsável quem tenta no quadro existente – que tem limitações de toda a ordem, desde os meios que são finitos, até à própria situação sobre que incidem, passando pela excepcionalidade das condições atmosféricas – minimizar os prejuízos materiais e humanos, sabe que está a dar alento à direita, tentando projectá-la para um patamar político que ela não está em condições de alcançar. "

17 outubro, 2017

É insanidade estar-se contra e depois dedicar-lhe dia festivo. Salva-se o poema, apesar de não ter sido dito

Ontem celebrou-se o 4º aniversário do dia da criação da União das Freguesias de Oeiras e S. Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias. 
Na primeira celebração, 16 de Outubro de 2014, assinalei o meu protesto. Hoje, assinalo ter havido o bom-senso de se dispensarem loas e discursos, tendo a cerimónia oficial sido concentrada na atribuição de título honoríficos propostos e aprovados por unanimidade pelos eleitos. Seguiu-se a parte festiva em que nós, representantes da CDU, saímos da sala por consideramos ser insanidade estar-se contra uma medida e depois juntar-se à data que lhe é festiva...
Como saldo de tudo isso, fica o poema, que não chegou a ser dito.
A FLOR E A ARMA

Dei-vos a flor das armas que não tinha
- ou tinha e quereria nunca usar... -
E a dupla imensidão desta alma minha
Num corpo que a mal sabe resguardar.

Entreguei-vos a espada, sem bainha,
Na baioneta, pronta a disparar,
E ninguém reparou que ela, sozinha,
Se transformava em flor pr`a vos cantar,

Por isso já não sei se arma, ou se flor,
Mas seja ela aquilo que ela for,
Ninguém pode negar-lhe a dupla vida

E, ao entregá-la com tão grande amor,
Com ela disparei, sem mágoa ou dor,
Um verso em flor por pétala caída...

Maria João Brito de Sousa no momento em que recebia a medalha
 TÍTULOS HONORÍFICOS ATRIBUÍDOS
ARTE E CULTURA
Maria João Brito de Sousa (na imagem) e Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles CIDADANIA E SOLIDARIEDADE
Associação Pombal XXI – Associação dos Moradores Bairros Pombal/ Bento de Jesus Caraça; Associação Coração Amarelo (Delegação de Oeiras) e Edson Moreira - Projecto “MoreiraTeam Kickboxing”
DESPORTO
Mário Wilson
ECONOMIA E EMPREENDEDORISMO
 Pedro Fidalgo

16 outubro, 2017

Os fogos florestais e os crimes cometidos


A imagem acima integra a página da Celpa e expõe razões que estão na base do drama dos fogos florestais. O crescimento da floresta, nos últimos anos, foi exponencial e  centrada no eucalipto em prejuízo das espécies autóctones, que cumpre salvar. Tal crescimento foi acompanhado por políticas coniventes com o desregramento e com o desleixo. A isso eu chamo crime e os criminosos são conhecidos.
Outros criminosos andam por aí, sem rosto nem rasto, como aqui é denunciado

14 outubro, 2017

AUTO-RETRATO (em forma de elogio)

AUTO-RETRATO

Diz ter alma celta
e um coração luso
que o desperta
que lhe corre nas veias
sangue mouro
Diz que já fez, na vida
de tudo um pouco
quer como poeta,
quer como louco

Diz nada decidir
sem convocar o coletivo
seu Eu, sua Alma e seu Contrário
ao qual apelida de Juízo

Quanto a Deus,
não o nega
mas d´Ele nada espera
pois sendo infinitamente bom
é, muito mais, infinitamente lento

Diz ser fácil mudar o mundo
só que leva é tempo

[Retrato quase completo de mim
o que falta... consta no BI]
Rogério Pereira

13 outubro, 2017

José Sócrates - Afinal o tribunal está na praça pública

Pelas 21 e pouco, comecei a ver
Pelas 21 e muito, continuei a ver
Pouco antes das 22, acabou
Ele apresentou prova pública
Se pensa que vou julgá-lo
"Tire o cavalinho da chuva"

12 outubro, 2017

O Ricardo Salgado entrou mudo e saiu calado...


Ricardo Salgado entrou mudo e saiu calado. Falou o advogado pois para isso foi pago. Como sabemos, não só os advogados são pagos, pois os comentadores também recebem e são (foram) defensores não oficiosos. A imagem acima não é antiga, só tem dois anitos e explica como chegou Ricardo a este estado de entrar mudo e sair calado.

Este texto está ininteligível e enigmático? Veja o vídeo, está mais claro:

11 outubro, 2017

Sócrates? Falei dele há quatro anos, bem posso esperar mais quatro...


...andava ele a treinar para candidato a Presidente da República

Lula da Silva, o que está em jogo... (II)


Este post completa o anterior e ambos residem no blog que me inspirou a existência. Estou certo que será difícil despertar interesse por algo fora da agenda mediática nacional e de acontecimentos que, em matéria de corrupção, trazem para a ordem do dia outras noticias. Mas aos que se disponibilizem para tal, vejam. Até porque quando soar a hora de se conhecer o recurso dos defensores de Lula, caso se confirme a condenação, não haverá clarividência para perceber o que está em jogo...

10 outubro, 2017

Lula da Silva, o que está em jogo...

Regressado eu há pouco a este espaço, retorno à ronda dos que me seguem. Nuns, na maior parte, vou deixando comentários. Noutros limito-me a leitura atenta. Li atentamente um deles, que juntava Isaltino a Lula, e escrevia: «As pessoas só se indignam com os políticos corruptos, quando eles fazem mal o seu trabalho.» e, após paralelo com Isaltino, referia estar Lula da Silva destacado à frente das sondagens para as eleições presidenciais brasileiras de 2018. Por lá voltei, a dizer coisas que ele logo rebateu, sem o ter feito quanto à observação minha de, por Lula ter recorrido, dá-lo por culpado seria assumir as dores do acusador Moro...

Mas deixemos o tema Lula (uma condenação anunciada), vamos ao Processo Lava Jato. Entender o que se passa é fundamental para compreender o que tem estado (e continua a estar) em jogo, e é muito, muito...