22 maio, 2017

Os papelinhos coloridos, os trocadilhos e os grunhidos


A questão, tal qual me surge, lembra aquela, bem colocada, de saber o que teria aparecido primeiro, se o ovo se a galinha. 
Transposta essa para este post, a pergunta é outra, o que apareceu primeiro? 
O grunhido* ou o papelinho?

Dizia um amigo que nem Mia Couto se livrara da tendência de enveredar pelo trocadilho curto, ele que é hábil nas palavras. Certamente que Mia não foi o único e instalou-se a generalizada tendência, com sucesso absoluto. Quanto mais curto, mais os cliques no "gosto", chegando estes a atingir centenas a que se juntam largas dezenas de comentários, esses inexplicavelmente longos e quase sempre adulatórios.  

O marketing facebookiano, sempre atento, passou a disponibilizar ambientes coloridos para trocadilhos e grunhidos* e, assim, passar a concorrer com o seu mais aguerrido concorrente, o twitter**.

E que tal regressarmos ao tempo da comunicação escrita?
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* "Nem sequer é para mim uma tentação de neófito (escrever no Twitter). Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido." - José Saramago, entrevista à GLOBO, Setembro de 2009
**(...) Um dos maiores riscos para o mundo é ter um presidente dos EUA que governa pelo Twitter como um adolescente, com mensagens curtas, sem argumentação, que, para terem efeito, têm de ser excessivas e taxativas.(…) Se acrescentarmos que muitos consumidores das redes sociais obtêm aí quase toda a sua informação, percebe-se os efeitos devastadores no debate público e como servem para a indústria das notícias falsas e para alicerçarem o populismo com boatos, afirmações infundadas, presunções, invenções (...)Ler só aquilo com que concordamos pode ser satisfatório psicologicamente, mas destrói o debate público fundamental numa sociedade democrática.» - José Pacheco Pereira in "A ascensão da nova ignorância"

21 maio, 2017

Esta fotografia não fui eu que a tirei...


Esta fotografia foi tirada pela Francisca, filha do meu camarada Daniel. A manhã era descomprometida de qualquer objectivo associado à sua candidatura e por isso concentrei toda a minha preocupação em saber operar com a minha nova "Sony" e a Francisca foi preciosa nessa minha fixação.
Para o zoom, eu nem sabia onde ficava o botão.
"Espectacular!" exclamava a Francisca enquanto focava.
"Espectacular!" dizia-me a mim mesmo ao visionar a foto acabada de tirar. Dali, à distância da partida, ia exactamente a distância da prova: 1000 metros, da Praia de Santo Amaro à Marina de Oeiras, uma travessia a ser feita a nado.


Sobre a prova, há outro lugar para falar dela.
Falemos então do que aqui assiste: as lições sobre fotografia; as festas dispensadas àquele "labrador" tipo
"chocolate" que correspondeu ao mimo com a reconhecida sociabilidade; aquele sorriso sobre a timidez  dos primeiros e hesitantes  passos de uma criança que passava; aquelas gargalhadas sublinhando quedas desajeitadas de quem não se equilibrava na prancha; aquele senhor com idade de reformado, que na mesa ao lado, convencia estar ali o projecto da sua vida; o empregado solicito, simpático, muito provavelmente com contrato precário; aquela senhora de olhar perdido à sua volta....

O resto, foi a espera pelo desenrolar da prova.

E, já agora, esta foto é minha!


19 maio, 2017

O cavalo da vida (um poema que já foi prosa)



O PROBLEMA
(...)
Nesta nossa passagem
para a outra margem,
convém amar afetuosamente um barco,
ou um remo,
ou uma bóia,
ou muitas bóias,
ou muitos barcos.
Todas as pessoas
a quem podermos lançar a mão,
que lancemos, para lhes dar um abraço;
a todos aqueles que de algum modo caminham,
ou nadam,
ou velejam junto a nós,
na travessia,
devemos nós prender a mão.
Que nunca nos larguem
os amigos, os irmãos, os filhos.
Porque vede: as pessoas perdem-se.

O cavalo da vida, enorme, torna-se furioso,
e consome-nos na solidão.
E é um grande problema
quando só vemos o grande cavalo na velhice,
quando o vozeirão se apaga e o ego esmorece.

'Não tomo conta de ti'.

Cuidai, enquanto é tempo*.
Uva Passa, "O Problema"
* Eu cuido

17 maio, 2017

Continuando a "Dar Asas a Oeiras"

 

Esta imagem pertence à página de uma Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos, mais conhecida por "Desenhando Sonhos", projecto que agora se vai concretizando, embora começado há muito ("Dar Asas a Oeiras", lembram-se?).
Lá, nessa página , poderá ler a transcrição que foi feita do Jornal i, onde se escrevia assim:
«José Antunes tem 71 anos e sempre rejeitou “estas modernices” que surgem a uma velocidade louca. Facebook, Twitter, Skype ou Instagram faziam parte destas “modernices” de que fugiu até ao momento de o filho emigrar. E foi então que tudo mudou. Mas não de um instante para o outro. “No início não foi nada fácil, sentia que todos aprendiam menos eu, mas lá consegui, com a ajuda dos meus netos.” Agora tem conta no Facebook, no Twitter e contacto quase permanente com o filho: “Isto é um vício tremendo”, admite José, que usa as redes sociais para jogar, partilhar vídeos e músicas. E também para Rosa, a sua mulher, publicar fotos do cão Tobias e não perder o contacto com amigos e família.»
Na "Desenhando Sonhos" preparamos os avós a desafiar os netos. E mais, desafiamos a ler outra imprensa. É que o "i" não inúmera outras coisas a que os reformados, pensionistas e idosos podem aceder... 

Vou ser eu o professor e, assim, estou à vontade para o dizer 


Bora lá?